Era a Madrinha da família. a mais velha dos irmãos do meu pai. Nunca casou, nem teve filhos. Dedicou a vida aos irmãos e sobrinhos e à administração do famoso Colégio do Negage. Era Madrinha de muitos. Minha também, mas de forma especial. Como estava em Angola, no meu baptizado foi substituida pela Madrinha do meu irmão, a quem passei também a chamar de Madrinha, até porque é ela que está na foto. E havia ainda a mulher do meu Padrinho. Tenho portanto, três Madrinhas, mas esta era a oficial.
Teve uma vida digna, de trabalho e de uma certa independência. Não se lhe conheceram defeitos ou maldades. Era uma pessoa boa, e que melhor elogio funerário se lhe pode fazer do que esse? Tinha 87 anos. Morreu esta madrugada, de AVC, uma morte santa. Até ontem à noite esteve sempre lúcida e dinâmica, com boa saúde. Chegou a sua hora. Chegará a de todos. Egoisticamente, rezo para que não chega a daqueles que mais amo. Talvez chegue primeiro a minha. Infelizmente, não estou em condições, nem físicas nem psíquicas, de ir ao funeral. A última vez que a vi foi em Março, no trágico funeral do meu primo. Demos um grande abraço. Dele me recordarei enquanto viver. Requiem !
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