
Completam-se hoje 40 anos que o homem pôs pela primeira vez os pés em solo lunar. Ficou assim provado que por lá nada há de apetecível, sendo que o melhor mesmo é a vista da Terra. No entanto, a atracção pela Lua mantém-se intacta, tão romântica, feminina e misteriosa como sempre. Muitas vezes me disseram que eu sou muito exigente e sonhadora, o que em linguagem proverbial se traduz na expressão que dá título a este texto. Será que eu quero mesmo a Lua, o que não sendo impossível desde há 40 anos, é antes improvável, porque não sou astronauta? Afinal que quero eu de tão especialmente lunático?
Quero o bem-estar dos meus pais, irmão e do homem que amo, e em especial que os meus pais, pessoas honestas e boas, que nunca fizeram mal a ninguém, tenham um fim de vida digno da existência que tiveram.
Dinheiro quero apenas o necessário para viver uma vida normal, sem ter de fazer grandes contas; nunca ambicionei ser rica, nem sou mulher de negócios. Não tenho invejas, nem ambições materiais; por isso não tolero que me escravizem: a liberdade é o maior bem que um ser humano pode ter. Gostaria sim de receber o que acho que etica e moralmente me é devido pelo fim de uma carrreira de 23 anos; mas como não o é legalmente, terei de deixar de pensar nesse desejo algo lunático, pelos vistos. Gostaria que a vida fosse justa, mas não é. Luto para que, pelo menos, seja decente.
Gostaria de ter sossego e de ser respeitada como respeito os outros, para poder viver a minha vida e concentrar-me na escrita, que é nisso que sou excelente, e produzir a tal obra sobre Napoleão e Lannes para ser publicada ainda este ano (240 anos após o nascimento de ambos e 200 anos após a morte de Lannes). Para isso preciso de uma bolsa ou coisa parecida, que me financie o trabalho e a publicação da obra. Contactei instituições públicas e privadas e tantas editoras, que já lhes perdi a conta. Ninguém parece muito interessado em que se conheça o lado francês do que se passou há 200 anos, antes das Invasões, como ninguém parece interessado em publicar seja o que for sobre Napoleão neste país. Mais uma excepção extraordinária, dado que é a figura sobre quem se publicam mais obras no mundo inteiro.
Será que estou a querer a Lua, quando desejo que algum mecenas se interesse por este projecto? Acho que não, até porque estou certa que produzirei um bom trabalho. Por isso, depois de tantas outras tentativas infrutíferas, aqui deixo a proposta, para o caso de haver alguém interessado, goste ou não de contemplar o luar.
P.S. Se as crónicas estão certas, Alexandre nasceu há 2365 anos. Seria, assim, nativo de Caranguejo, o signo regido pela Lua. Terá sido coincidência a chegada do homem à Lua exactamente neste dia? Não sabemos. Só que ele não quis apenas a Lua, mas também o Sol e as estrelas. E teve-os. Parabéns, meu querido Alex. Que a tua divina luz sempre me ilumine. Ámen!
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