Conquista de Ceuta por Portugal em 1415.
Nada de comemorações.
Ficam interrogações acerca do que leva ao desprezo oficial pela efeméride do início da expansão marítima global, o maior feito desta nação tão pequena.
Quem tinha de comemorar eram os portugueses, não os actuais senhores de Ceuta, os espanhóis. Desculpas com a dívida e o politicamente correcto são inceitáveis. A História assume-se, na grandeza e na miséria. Só um país moribundo não tem coragem para tal.
No entanto, houve algum debate acerca do significado da ocorrência, o que foi positivo.
Hipóteses há muitas, quase todas plausíveis, mas uma é absoluta e inegável: o que provocou a saída para além-mar foi a pobreza. Já D. Dinis o sabia, D. João I apenas o confirmou: não tendo em casa o que precisávamos, fizemos da necessidade engenho e partimos, para todo o lado, até ao fim do mundo.
Ainda o fazemos hoje. Aliás, nunca deixaremos de o fazer.
Há 600 anos não havia de onde tirar. Hoje também não.
Glorioso é triunfar perante tal adversidade. Povo mais adaptável do que o lusitano não há.
Vergonhoso é que nada muda no destino português, porque muitos dos aqui nascidos têm de viver noutro lugar. Não é fado, é defeito de terra pobre e gentes desgovernadas.
Pois vivam todos os que há 600 anos lutaram por uma vida melhor, conquistando Ceuta.
Porque a verdade é simples, foi isso que aconteceu.
O resto é poesia ou azia.