Friday, 21 August 2015

600 Anos



Conquista de Ceuta  por Portugal em 1415.






Nada de comemorações. 
Ficam interrogações acerca do que leva  ao desprezo oficial pela efeméride do início da expansão marítima global, o maior feito desta nação tão pequena.
Quem tinha de comemorar eram os portugueses, não os actuais senhores de Ceuta, os espanhóis. Desculpas com a dívida e o politicamente correcto são inceitáveis. A História assume-se, na grandeza e na miséria. Só um país moribundo não tem coragem para tal.
No entanto, houve algum debate acerca do significado da ocorrência, o que foi positivo.
Hipóteses há muitas, quase todas plausíveis, mas uma é absoluta e inegável: o que provocou a saída para além-mar foi a pobreza. Já D. Dinis o sabia, D. João I apenas o confirmou: não tendo em casa o que precisávamos, fizemos da necessidade engenho e partimos, para todo o lado, até ao fim do mundo.
Ainda o fazemos hoje. Aliás, nunca deixaremos de o fazer.
Há 600 anos não havia de onde tirar. Hoje também não.
Glorioso é triunfar perante tal adversidade. Povo mais adaptável do que o lusitano não há.
Vergonhoso é que nada muda no destino português, porque muitos dos aqui nascidos têm de viver noutro lugar. Não é  fado, é defeito de terra pobre e gentes desgovernadas.
Pois vivam todos os que há 600 anos lutaram por uma vida melhor, conquistando Ceuta.
Porque a verdade é simples, foi isso que aconteceu.
O resto é poesia ou azia.