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Um belo dia, há uns 7 ou 8 anos, resolvi ir fazer uma visita ao Museu Nacional de Arte Antiga, no intuito de adquirir reproduções fotográficas do que lá existe que ao Magno Alex diz respeito. Tenho estas ilusões de que estou no British Museum e depois acordo para a realidade e não há nada de nada do que eu quero. Mas eis que, dessa vez, mais bem preparada do que em anteriores ocasiões noutros museus, levava uma maquinazinha fotográfica, e toca de perguntar se poderia tirar eu as fotos, que eram para uso próprio (e são) que as queria para o meu estudo ( e quero). Foi simpática a funcionária da portaria e mais simpático ainda o Director, que me veio receber em pessoa à entrada.
Foram uma horas extraordinárias e únicas, em que cuidou dos meus interesses e me foi revelando os seus. Andou a mostrar-me o museu, a indicar-me o que havia de Alex, não deixando de sorrir com a perspectiva do que iria resultar daquelas fotos com uma máquina tão abaixo do nível dos objectos fotografados. A seguir, levou-me aos depósitos, mostrou-me colecções não expostas, e depois pôs-me em contacto com investigadores que me facilitaram bibliografia iconográfica preciosa, que eu desconhecia totalmente.
Quando soube que o Doutor Markl tinha falecido há dias, contemplei por momentos uma das fotos emolduradas que produzi nesse dia. (Ficaram quase todas bastante boas, quem diria!) Lá está retratada a generosidade e sapiência de Alexandre. Só então me apercebi de que cada vez que a vejo me recordo da generosidade e sapiência de Dagoberto Markl, um homem de grande cultura, que tanto me ensinou em tão pouco tempo.
Requiem !
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